terça-feira, 13 de novembro de 2012

Hoje não, hoje não... hoje sim


É. Faz tempo.

Da última vez que escrevi, estava em Gulu, Uganda. Desde então, muita coisa aconteceu.

Voltei de Uganda para a Finlândia, da Finlândia para São Paulo, de São Paulo para lugar nenhum. Eu moro em São Paulo.

Ora bolas, tenho que me formar. É basicamente a isso que tenho me dedicado desde que cheguei, no fim de Julho.

Eu pensei quase nada muito sobre o que escrever aqui, e cheguei à conclusão que melhor seria trazer um pouco de cultura e delicadeza a este blog abandonado. Taí um poema que escrevi quando tava no colegial:


Fim do mundo

Salto sem pára-quedas
Um pulo no vazio
Mergulho na escuridão
Uma queda no frio

Não tem começo, não tem fim
É o fim da minha vida
Eu me sinto sempre assim
Na aula da dona Zilda

terça-feira, 26 de junho de 2012

Update de Gulu

Agora estou em Gulu, no norte de Uganda. Internet e tempo livre tem sido artigos raros, por isso o silêncio por aqui. Meu dia hoje não rendeu porque não tínhamos eletricidade. Agora são três da manhã e eu queria escrever aqui, mas quem tá sem energia agora sou eu. Fica pra próxima, me desculpem.

(Mas vocês também podem acompanhar detalhes mais técnicos aqui)

domingo, 17 de junho de 2012

Transporte em Kampala

Kampala não tem linhas de ônibus como na Finlândia. Também não tem bondes, muito menos metrô. Locomoção a grandes distâncias acontece de carro, táxi ou boda-boda.

Por aqui se usa mão-inglesa, ou seja, os carros dirigem na esquerda. Paulistano que sou, não me impressiono fácil com trânsito, mas o fato é que dirigir um carro ou qualquer outra coisa por aqui requer um nível considerável de habilidade. "Caos" é uma boa definição pro que se vê, mas mesmo assim em um total de três semanas em Uganda não vi nenhum acidente.

Se você tiver os telefones certos, é possível chamar um motorista que te leva pra onde quiser, exatamente como um táxi tradicional. Sim, porque o que se chama de "táxi" por aqui são na verdade vans que operam como o que se esperaria de um ônibus urbano: eles saem de um ponto A e vão até um ponto B, pegando e deixando pessoas pelo caminho.

Mas o mais pitoresco são os boda-bodas. Eles são na verdade uma espécie de moto-táxi. Ficam esperando clientes e quando vêem algum candidato já saem gritando tentando chamar atenção (especialmente se for um gringo). Isso quando não saem pilotando a moto pra cima de você.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Barreiras para imigração

O voo saindo de Helsinki atrasou e acabamos perdendo nossa conexao em Londres. A British Airlines nos providenciou hotel e transporte, e aqui estamos esperando o proximo voo para Entebbe, esta noite.

Logico que eu preferia a esta hora estar em Kampala fazendo o que me preparei para fazer, mas acho que de tudo o que aconteceu, a unica coisa que realmente me incomodou foi a imigracao para entrar no Reino Unido.

Tudo que precisamos fazer eh mostrar o passaporte, mas isso parece uma tarefa imensa. O clima é intimidador. Voce se sente o tempo todo sendo questionado "O que voce pensa que veio fazer aqui?". Po, eu nem queria estar nesse pais estupido, desculpa ai o incomodo, chefia!

Mas o que realmente pega no brio sao os pequenos detalhes. Cidadaos europeus tem duas filas, obviamente quase vazias e andando rapido. O "resto" se junta em uma imensa fila de lesmas. Só tem ar condicionado do outro lado da "fronteira", e por isso durante uma hora ou mais voce é obrigado a esperar para ser interrogado suando como um porco. O que realmente me irritou foi o tratamento que deram a minha amiga chinesa. Ela precisaria de visto pra entrar no Reino Unido, e ela obviamente nao tinha, pois nao era para estarmos aqui agora. A companhia aerea providenciou um certificado explicando a situacao, algo que deveria ser rotineiro naquele enorme aeroporto...mas claro que isso nao era suficiente, e ela alem de ter que responder a inumeras perguntas sobre toda a vida dela e esperar ainda mais no canto, ainda teve que ouvir um "se eu nao gostar de voce, nao entra no Reino Unido, ta entendendo?".

Com as Olimpiadas chegando, se esse eh o tratamento que eles dao aos turistas, eu tenho ate medo de imaginar o que nao fazem com os que consideram "terroristas".


E frente a essa situacao ridicula, eu me pergunto: por que eles buscam tanta proteção? De quem é que eles tem tanto medo? De mim ou minha amiga não é. Honestamente, acho que eles tem medo é deles mesmos, medo de que os antigos pecados passem pelas grandes barreiras e voltem para os atingir.

Certas nações foram construídas em sangue, lágrimas e ouro roubado. Mas isso é passado. O futuro esta aí, para ser escrito, e não precisa ser da mesma forma. Se eles percebessem isso, talvez não precisassem mais de tantas proteções e barreiras.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Até mais, Finlândia

So long, and thanks for all the fish.

Dentro de muito em pouco tempo embarco rumo à Pérola da África. Não sei com que frequência vou postar aqui, mas o nosso plano é atualizar diariamente o Blog e/ou Twitter, então pra quem tiver mais interessado (aquele beijo, mãe), sugiro que os visitem.

Dúvida pertinente: será que eu deveria mudar o nome do blog pra Ulado na Raganda?


Bônus: a passagem do tempo.

26 de agosto

21 de outubro

7 de janeiro

15 de fevereiro

2 de abril

3 de maio

19 de maio

24 de maio

6 de junho

terça-feira, 5 de junho de 2012

O futuro

Escolhas, escolhas...eu não quis falar no outro post porque ainda não tinha certeza se ia acontecer. Mas agora as passagens já estão compradas, então posso compartilhar:

Segunda-feira (11 de junho) estou indo pra Uganda. Vou ficar lá pouco mais de um mês, volto pra Finlândia dia 15 de julho.

Quando escrevi o post passado, eu tava pensando não só em como o fato de ter seguido a banda mudou meu ano finlandês, mas também meu verão (que teoricamente era pra ser me bronzeando na Europa) e muito provavelmente meu futuro...porque meu objetivo pessoal nesse mês que está por vir é acertar os próximos passos para continuar o desenvolvimento do sistema de monitoramento remoto para latrinas.

Sistema de moni-o-quê?

Monitoramento remoto de latrinas.



terça-feira, 29 de maio de 2012

A "noite"

Esse fim de semana fui para a casa de campo de uma amiga, em Luhanka. Essa é uma tradição daqui, quase todo mundo tem um chalé na beira do lago para onde eles escapam nos fins de semana e feriados. O contato com a natureza é importante para os finlandeses. A maioria dessas casinhas foram construídas por eles mesmos ou por algum antepassado. No caso dela, foi o avô quem construiu.

Fiz um vídeo exatamente à meia-noite. Ouçam o silêncio:


Ainda não peguei as fotos. Depois eu posto algumas aqui.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Escolhas

Mas o que eu vim aqui falar era outra coisa. Era sobre o poder das escolhas.

Não sei se já contei como me envolvi no projeto de Uganda. Logo quando cheguei, busquei me integrar logo com o novo ambiente. Um amigo me chamou pra um evento de recepção aos calouros, e eu fui. Lá, conheci um cara mais velho que nem era pra estar lá, mas estava. Ele ia viajar pro Brasil em dezembro, e ficamos conversando. Chamava-se Mikko.

Alguns dias depois, teve uma grande festa para marcar o início do ano letivo. Era para todos envolvidos com a universidade; professores, alunos, funcionários... Algumas fotos:

Era aniversário do Corinthians. Na esquerda está o Mikko.
A foto que já tinha postado mas não explicado.
O pessoal da Mecânica tinha uma catapulta jogando balões d'água.
Meu colega conseguiu pegar.

Eu passei a tarde nessa festa com os calouros que tinha conhecido no outro dia. Lá pelas tantas, tava chovendo, eles resolveram ir pra outro lugar e me chamaram pra ir com eles. Eu falei que sim...mas olhei pro lado, e vi uma bandinha passando. Na hora, resolvi ir lá assistir. Eles não quiseram, mas a banda estava me chamando. Eu falei que os encontrava depois, e segui a banda.

Sozinho.

Sozinho, mas por uns 30 metros. Porque encontrei de novo o Mikko. E começamos a conversar de novo, e ele perguntou "você conhece aquele prédio ali?". Falei que não. Era a Design Factory, que tanto falo.

Ele me levou pra conhecer. Me mostrou tudo, falou das coisas que aconteciam ali...e em determinado momento falou "ah não, vc precisa conhecer aquele cara". Era um professor. Ele começou a falar do curso que ele organizava ali mesmo, na Design Factory. Era o PDP.

Em cinco minutos de conversa eu já tinha mudado meus planos para o ano que começava: ia largar duas outras matérias para fazer o tal do PDP.

E no PDP, escolhi (e fui escolhido) para o projeto de Uganda.


Talvez se eu não tivesse seguido a banda, meu ano seria muito, mas muito diferente. Talvez tivesse ido a mais festas, passado menos noites em claro, talvez tivesse escrito mais neste blog. Talvez tivesse tido tempo pra me dedicar a aprender finlandês. Quem sabe? Eu não tenho como saber. A única certeza que tenho é que não teria visto a banda cuspindo fogo nem iria para Uganda, mas fora isso, é bem difícil imaginar.

Naquela fração de segundo, eu escolhi ir ver a banda. Alguma coisa me chamou. Pareceu besta no momento, mas quanto mais penso nisso, menos acho que era assim tão besta.

E a cada minuto que passa, sinto-me mais grato por aquela sábia decisão.


Edit: eu tinha comentado sobre isso neste post. Relendo, acho que já imaginava o quanto esse dia ia mudar minha história...

O fim do PDP e o MoA

Eu vim aqui pra falar de outra coisa, mas faz um tempo que não dou notícias, então este post era necessário.

Dia 27 de Abril aconteceu a cerimônia de encerramento do Product Development Project, a matéria do tão falado projeto de Uganda. Link para a última sessão de apresentações (o nosso começa aos 36:55).

E no dia 8 de maio começou o MoA 2012, Masters of Aalto University. É um evento anual da escola de artes da Aalto em que os alunos apresentam seus trabalhos. O galpão onde ele ia acontecer não tinha banheiros adequados. Para muitos, um problema. Para nós, uma oportunidade.

Trabalhamos com os arquitetos que projetaram os banheiros a serem construidos, e incorporamos algumas das nossas ideias neles. As torneiras utilizadas são as que desenvolvemos, a água utilizada para lavar as mãos escoa para um pequeno jardim. A área também tem uma exposição similar à que preparamos para o evento de 27 de Abril.

Eu também arranjei meu primeiro "emprego" finlandês, fazendo a manutenção dos banheiros. Como não há encanamento, temos que esvaziá-los. Carregar e esvaziar galões de 20 litros de urina realmente faz você repensar alguns conceitos.

Mais informações e fotos no blog do projeto.

sábado, 5 de maio de 2012

O poder da camisa social

Eu trouxe do Brasil um monte de camisa de futebol por um simples motivo: depois de lavar, não precisa passar. Então se eu não to usando uma dessas, eu to com uma camiseta de algodão... amassada, claro.

Um tempo atrás vi uma loja em promoção e comprei uma camisa social por, sei lá, uns 5 euros. Bonita, nova. "Vai que um dia eu preciso."

O fato é que o dia que eu precisaria de uma camisa social nunca chegou, ou se chegou, eu não percebi e apareci vestido de Ronaldo no Curíntia. Mas ontem, por nenhum motivo especial, resolvi usar a tal camisa. Nada demais, calça jeans e mangas arregaçadas até o cotovelo.

O fato é que três meninas que me vêem praticamente todos os dias falaram a mesma coisa: "You're looking handsome today, João!". Minha resposta pra todas foi "I look handsome everyday, you just washed your eyes better this morning."

Se bobear eu tava precisando de uma revisão do meu guarda-roupa. Ou não...podem acabar pensando que sou um cara sério. Vai Curíntia!