terça-feira, 23 de agosto de 2011
O desencontro
Quase todos os dias Dragica me dizia que tinha falado com Marijana, e tinha dito que eu era um bom menino. "Dobar, doooobar dečko!", repetia.
Quando eu estava de mala nas costas, indo embora, conheci a tal Marijana. "Então você é o brasileiro? Puuuxa, pena que minhas filhas não estão aqui pra te conhecer, tenho duas da sua idade!". Eu ri e agradeci o elogio. Achei que ela estava só sendo gentil.
No dia seguinte a filha dela me adicionou no Facebook. Fiquei imaginando a cena: "Filhinha, cê num sabe..." Haha!
domingo, 21 de agosto de 2011
Split
Voltando de Dubrovnik pra Zagreb o ônibus fez uma parada em Split. Vim pra cá ano passado e não gostei. Mas eu desci pra dar uma olhada...já estou aqui mesmo, por que não?
O porto é tão bonito...ah, a torre da cidade velha iluminado na noite..que beleza! Puxa... até que Split não é tao ruim assim! - eu pensei.
Entrei na rodoviária pra ir ao banheiro, custava 3 kunas. A catraca tinha uma maquininha automática. Minha única moeda era de 5 kunas. Coloquei no buraco, e a máquina não devolveu o troco. Lembrei porque odeio Split.
sábado, 20 de agosto de 2011
Ilha de Lopud
Perto de Dubrovnik estão as ilhas Elafiti. Das três ilhas, em duas não há carros. Fui para a ilha de Lopud, uma dessas duas menores. A grande atração dela são as praias de areia, coisa rara por aqui.
Cheguei depois de uns 50 minutos de barco. Eu queria ir para o outro lado da ilha, onde fica a maior praia. Quando vi uma placa indicando a fortaleza de Kaštio, resolvi visitá-la antes. Exatos cinco passos depois, eu olhei pra cima. Putz...ela era muito no alto. Muito. Falando sério: MUITO alto. Mas eu já tinha dado cinco passos. Não dava mais pra desistir.
Cem metros depois eu já estava me odiando pela ideia. O sol tava de rachar. Eu tinha ouvido falar que o segredo pra essas coisas é não pensar na volta. Mentira. O segredo é não ter amor próprio - nem um pingo.
Chegando lá vi que a fortaleza é utilizada até hoje...por cabras. Olha, quem nunca foi encarado por uma cabra, olho no olho, não sabe o que é intimidação. No caminho eu me desviei e visitei também uma igreja do século IX no topo de outro monte. É fantástico pensar que naquela época, naquele fim de mundo, pessoas se davam ao trabalho de construir igrejas em lugares tão inacessíveis. Eu sofri só pra subir até lá, quando mais carregando pedra! A história do Brasil que a gente estuda na escola tem quinhentos anos. Mil anos atrás - duas vezes o Brasil - aquela igrejinha já tinha, sei lá, cem anos de idade.
Eventualmente eu achei a estrada certa até a praia que queria. Foi o mergulho mais refrescante da vida. Valeu a empreitada.
Em tempo: a água da torneira da ilha não é potável.
O quarto
Na Croácia é muito comum as pessoas alugarem quartos e apartamentos durante o verão. Na minha opinião, é o melhor lugar para se ficar. Às vezes mais barato que um hostel (albergue), quem escolhe essa alternativa pode até mesmo ficar junto da família do anfitrião. Se você der sorte, tomará café com eles e ainda te servirão rakia - bebida alcoólica típica - feita em casa e frutas colhidas ali mesmo, no jardim.
Em Dubrovnik fiquei na casa de uma senhora extremamente gentil. Quando via que eu estava acordado, vinha me trazer suco e ficou felicíssima ao saber que eu tinha gostado do passeio que me recomendou.
Ela aluga três quartos em sua casa, e isso me proporcionou uma das conversas mais interessantes que já tive: estávamos eu, a senhorinha que só fala croata e um casal de kosovares que só falavam francês. Eu balbucio um pouco de francês, fiquei de intérprete.
A Croácia é fantástica!
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Dubrovnik
Então sobre isso direi apenas o seguinte: já contei da minha paixão pela Croácia, e de tudo que há pra ver e fazer aqui eu não só resolvi vir de novo pra Dubrovnik como dessa vez estou ficando uma semana inteira. Simples assim.
Cartoes postais
Um costume que as pessoas não tem mais é o de mandar cartões postais quando viajam. Eu acho muito legal receber postais, então procuro sempre mandar alguns.
Eu tinha mandado vários de Zagreb, mas ontem descobri que em alguns usei o selo errado. Provavelmente vão ser descartados.
Você que está lendo isso e não receberá meu postal, peço desculpas. Pelo visto não entendi direito o que a mulher da banca falou na hora, hehe. Da próxima vez pergunto em inglês.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O copo d'agua e a lei de Murphy
Impressionante, só porque eu falei ontem do copo dagua hoje tive meu primeiro revés.
Fui a Cavtat, cerca de 20km de Dubrovnik. Num restaurante, pedi um frango, um refresco, e a agua. Quem me atendeu era o dono do lugar. Ele quis dar uma de esperto, e trouxe uma agua mineral. Eu falei que nao, que quis dizer agua da torneira mesmo. Ele se fez de desentendido, falou que nao dava, respondi pedindo pra cancelar que eu estava indo embora. Ele falou, po, so por causa da agua? Fica ai, e entrou bravo pra buscar a agua. Eu pensei "esse fdp vai cuspir no meu frango...". Juntei minhas coisas e fui embora.
Depois dessa, perdi a vontade de gastar minhas kunas e contribuir para o desenvolvimento de Cavtat. Passei algumas horas aproveitando o Mar Adriatico e voltei pra Dubrovnik pra comer. E aqui me deram nao um, mas TRES copos dagua. Haha! Cidadezinha metida a besta, Cavtat.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O copo d'água
Aqui na Croácia é muito comum pedir água em restaurantes e lanchonetes. Sempre que sento pra comer, peço um "čašu vode" e eles trazem, de graça. Aliás, se vc tiver morrendo de sede, pode entrar numa boa só pra beber água. É costume por aqui.
Mas claro que pra isso você não pode ser afrescalhado que só bebe água mineral: é tudo da torneira. A garrafinha que levo comigo encho na pia do banheiro, ou numa das fontes da rua. Nunca peguei água ruim ou com gosto.
Viajando nesse calor, essa dica ajuda a economizar fortunas!
Ps: nao to conseguindo virar as fotos quando posto do celular
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Os Museus de Zagreb
Zagreb tem uma grande quantidade de museus interessantíssimos. Ano passado fui no Museu de Etnografia, que tem roupas e utensílios pessoais de diversas épocas e regiőes da Croácia. Muito legal para conhecer um pouco como era a vida das pessoas comuns. E nessa segunda vinda a Zagreb fui em mais dois museus.
Recomendo muito o Museu Mimara. Ele foi criado depois da doaçăo da coleçăo pessoal de Ante Mimara para seu país natal. Durante décadas ele juntou uma infinidade de objetos históricos e de arte. O museu é bastante eclético: o último andar abriga uma coleçăo enorme de pinturas desde o século XIII até o começo do XX. O segundo andar tem uma coleçăo de esculturas também de diferentes épocas, além de uma ala de arqueologia e diversas relíquias bizantinas, coptas e do cristianismo arcaico. No térreo encontra-se uma coleçăo gigantesca de objetos de arte como vasos, talheres, enfeites, artefatos religiosos... Os objetos ŕ mostra vęm de toda a Europa entre os séculos XV e XIX, além do Oriente Médio. Há uma ala enorme dedicada exclusivamente ŕ coleçăo oriental de Mimara, com relíquias da China, Japăo, Índia e regiőes próximas.
E o outro museu, que também recomendo, é o Museu de Arqueologia. Mas pra esse eu digo é preciso ir sem nenhuma pressa. Confesso que năo aguentei tudo, foi demais pra mim. Como no Mimara, é recomendado que vocę comece a visita pelo último andar e vá descendo. E a primeira parte da mostra é dedicada a uma coleçăo de objetos encontrados em escavaçőes por toda a Croácia. Săo apresentadas algumas culturas que dominaram regiőes do país, com dados históricos e reconstruçőes de vilas e capitais desses povos.
Tudo começa com algumas ferramentas de pedra lascada feitas pelo Homo Habilis: lanças, pratos, colheres de osso...e aos poucos as coisas văo se sofisticando mais, começam a aparecer alguns ídolos, algumas esculturas de animais. E aí começa a idade do bronze, e os utensílios se sofisticam mais ainda, văo aparecendo alguns machados, vários ornamentos...e năo para mais: pontas de lança, espadas, armaduras, dinheiro. Ver de forma tăo cruamente explícita aquele homem primitivo se corrompendo foi forte pra mim. Passei reto pela enorme coleçăo egípcia, pelo maior texto etrusco já encontrado (1500 palavras) e pelas alas grega e romana. Recomendo muito a visita, mas sem hora pra sair. Eu năo durei muito tempo! Hehe. Voltarei.
![]() |
| Êxtase de São Francisco |
![]() |
| Detalhe |
![]() |
| Luminária, cristianismo arcaico - Séc. V |
![]() |
| Porcelana chinesa, séc. XVI |
domingo, 14 de agosto de 2011
Fazenda na chapa
Eu tenho um post preparado sobre comida. Tá no meu pen drive, esperando um computador com internet pra ser postado (agora tô no celular). Mas o que comi ainda agora merece seu próprio post. Mais ainda, merecia seu próprio estômago! Putz, que violência.
O cardápio dizia simplesmente "churrasco". Ćevapčići, kobasice, franco, vaca e porco harmoniosamente mortos na minha frente aguardando a primeira dentada. Dilícia! E ainda veio acompanhado com um trilhão de plantas. Sou anti-planta de coração, mas mesmo contra todos os meus princípios e instintos, provei. E gostei.
Não só gostei, como me senti um fazendeiro que comandou "Recolham um exemplar de cada espécie que cultivamos nessas terras e contruam um barco...não não, cancela o barco, frita tudo na chapa e me traz aí que tô com fome".
Ainda fiquei alugando o garçom pra aprender os nomes de tudo, o único que decorei foi "paprika". Agora tô tão cheio que adiei o passeio noturno por uma horinha...ou três.



